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HISTÓRICOS


História - Atrativos históricos - Santo Inácio - Gentio do Ouro - Bahia - Brasil  - Turismo - Ecoturismo - Garimpo - Diamante - Cristal

"(...) Há, pois, um tempo lembrado, que vira memória e saudade; e um tempo simplesmente vivido, que se vai e morre na distância do passado."

(Roberto Da Matta. O que faz o Brasil, Brasil? 2ª ed. RJ. Rocco, 1984.)

Enigmas e mistérios envolvem sobre os primeiros habitantes da região onde está situada a vila de Santo Inácio. Dizem que a vila tem mais de 200 anos, mas, segundo documentos históricos, foi fundada em 1836 por buscadores de ouro e diamante e, que antes destes, era habitada por índios cariris, tupinambás e amoipiras. Estudos revelam a presença do homem andino, descendente da secular civilização inca, não só na região do Santo Inácio, como em outras áreas no território baiano. Alguns estudiosos vão mais além, revelando que o lugar já foi um antiguíssimo reduto de pré-egípcios. Pelos vestígios encontrados e toda a herança cultural presente, uma coisa é muito possível: o local onde está a vila era uma comunidade de homens pré-históricos.

Muito dinheiro jà passou pela região de Santo Inácio fruto da mineração. O comércio de minério tem uma história instável, pois tem épocas que certo tipo de cristal é mais procurado, ou melhor, mais valorizado, enquanto outras, já passa ser outro tipo de cristal ou até mesmo outro tipo de pedra, que antes não tinha tanto valor.

O texto a seguir escrito por Walfrido Moraes no seu livro Jagunços e Heróis, retrata bem o clima que tomou conta da região de Santo Inácio com a descoberta dos primeiros diamantes da Bahia:

"No final de 1839 começaram a surgir rumores de que um explorador descobriu num lugar chamado Tamanduá, distante 11 léguas do Gentio do Ouro, alguns diamantes e fez atrair para aquele local algumas pessoas para explorarem esse minério.

Cerca de 2 anos depois, em 1841, ocorrem as descobertas das lavras de Santo Inácio, e, logo mais, uma parentela de nome Grota, citada por Gonçalves de Ataíde Pereira, descobriu, mais abaixo, os garimpos da Chapada Velha na Serra das Aroeiras, onde fizeram explorações e tiraram muito diamante.

Como era de prever, as boas-novas do aparecimento dessas jazidas correriam, em pouco tempo, até aos gerais. E não tardaria, como efetivamente não tardou, que gente de todas as procedências, sobretudo dos antigos distritos diamantinos de Minas, se abalasse pelo Rio São Francisco adentro ou pela Serra do Espinhaço afora, buscando caminhos mais curtos que reduzissem, por vezes, distâncias de além de 300 km, na ansiedade de chegar depressa, o mais depressa possível, ao novo, ao formidável centro de enriquecimento fácil.

Em meio dessa avalanche terrível de trabalhadores e aventureiros que entulhava o caminho do diamante - com bateias, frincheiros, carumbés, enxadas, cavadores, ralos, etc, - vinha de tudo. A única seleção que a aventura se dignava fazer era a de atribuir aos que conseguissem chegar primeiro os melhores meios de alcançar a coisa sonhada. Quem tivesse forças para chegar, trabalhar e vencer, venceria!"

(Fonte: MORAES, Walfrido. Jagunços e Heróis. Empresa Gráfica da Bahia/IPAC - 4ª edição revisada e ampliada. 1991 / Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).

No século XX, duas importantes fases são destacadas pelos antigos garimpeiros:

1920 a 1931 - é considerado o auge da mineração em Santo Inácio. Nesse período, o diamante tipo carbonado era o mais valorizado. Hoje não é mais procurado porque a versão industrial o substituiu. Compradores de várias partes do mundo iam lá em busca do carbonado. Quando começou o garimpo na região, o cabornado não tinha valor, sendo procurado o diamante tipo gema.

1942 a 1950 - foi o período que mais se negociou com cristal na região. Hoje, existe mais o cristal de bloco, que não é valorizado, sendo mais procurado, atualmente, o cristal com rutilo, o de cabelo, casa de cigano, de vela e de lodo.

Santo Inácio já foi conhecido como o lugar do dinheiro. Uma boa parte do feijão e do milho produzido em Irecê(BA), era vendida na região de Santo Inácio, trazida por burros.

Até vida noturna com cabarés já fez parte da paisagem da pacata vila. Mulheres de outras cidades, que eram colocadas para fora de casa por não obedecerem aos costumes da época, iam para Santo Inácio, atraídas pela fama do local.

Nos Poços, vila a 8 km de Santo Inácio surgida com a garimpagem (hoje não existe, restando uma fazenda), tinha um comércio intenso. Segundo Sr. Manoel, mais conhecido como Manoel do Boi, 89 anos, "eu contei 70 madames grã-finas nos Poços".

As fases áureas da mineração deixaram não só histórias, mas uma arquitetura colonial, presente até hoje, onde algumas necessitam de cuidados e outras uma urgente restauração.

Sobrado - Em 1930, o antigo dono das terras onde está a Cachoeira do Encantado, Manoel Alcântara de Carvalho, empolgado com os negócios gerados pelo carbonado, começou a construir um grande e elegante sobrado na praça principal da vila. Em 1931, o cabornado entrou em declínio, interferindo nos negócios da vila. Em 1932, devido à desvalorização do cabornado, as obras no sobrado pararam e Alcântara retornou para sua cidade natal, Lençóis. Morreu e até hoje o sobrado está como ele deixou, já que nenhum herdeiro deu continuidade ao projeto. Muitos ficam surpresos com a boa conservação de uma obra inacabada com 75 anos. Alcântara, apesar de não ter conhecimentos específicos em Matemática ou Engenharia, deixou a estrutura do sobrado "em pé" até hoje. Outro motivo que ajudou muito na sua conservação foi o fato do barro utilizado na alvenaria não conter sal, trazido da Fazenda Curral de Pedras. Alcântara ainda deixou com sua obra inacabada, além de uma grande herança histórica e cultural, um importante ponto turístico. O Sobrado, ao lado das formações rochosas que circulam a vila, é o principal ícone, é o principal cartão-postal. Quando se pensa em Santo Inácio, vem à mente a imagem do Sobrado, que se destaca no centro da vila pela sua altura e exuberância. Confira as fotos:

   

    

Muro de pedra construído por Manoel Alcântara de Carvalho (mesmo que construiu o Sobrado):


Confira as fotos do cemitério local:

                  

          

           


Antiga Cadeia Pública - construída no período que Santo Inácio era a sede do município (1938-1953). Funcionou até cerca de 40 anos atrás. Hoje, se encontra em ruínas, precisando urgente de restauração. Caso não seja restaurada, dentro de 5 a 10 anos, poderá cair totalmente. Inclusive, o publicitário Oscar Guedes, diretor deste site, já entrou em contato por e-mail com 3 órgãos públicos especializados em conservação do patrimônio histórico, informando sobre as condições da Antiga Cadeia Pública como também do Antigo Sobrado, e até o momento não se pronunciaram.

                

            

               


Confira outras fotos da arquitetura colonial de Santo Inácio:
      

         


Prédio Escolar Renovato Alves Barreto   

     


Praça principal da vila: a estrela é toda cravejada de cristais

O santo-inaciense Renovato Alves Barreto é considerado um personagem da história nacional brasileira. Ele participou da Coluna da Esperança - chamada hoje de Coluna Prestes por ter sido comandada por Luís Carlos Prestes, e chamada pelo povo de "Os Revoltosos". A Coluna Prestes percorreu o interior do país em peregrinação revolucionária em oposição ao governo do Presidente Arthur Bernardes A marcha durou dois anos (entre 1925 e 1927) e percorreu mais de 25 mil quilômetros. Os restos mortais de Renovato estão no cemitério local de Santo Inácio. Outro ilustre participante da Coluna Prestes foi Manoel Alcântara de Carvalho, que, embora nasceu em Lençóis, morou muito tempo em Santo Inácio, onde constitui sua família.

Os pais e o avô dos primos Horácio de Matos e capitão Manoel Quirino Matos, considerados também personagens da história nacional, já passaram por Santo Inácio. O avô chama-se José Pereira de Matos (alferes português), que veio para Santo Inácio, por volta de 1842, dedicando-se a garimpar diamantes. De lá, espalharam-se os seus filhos, dentre os quais, Quintiliano Pereira de Matos (pai de Horácio) e Canuto Pereira de Matos (pai de Manoel Quirino), estabelecendo-se todos na região da Chapada Velha.

"Pois o homem é o único animal que se constrói pela lembrança, pela recordação e pela "saudade", e se "desconstrói" pelo esquecimento e pelo modo ativo com que consegue deixar de lembrar."

(Roberto Da Matta. O que faz o Brasil, Brasil? 2ª ed. RJ. Rocco, 1984.)

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